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Apologia Literária

Ciranda das linguagens: Referências literárias - Série Apologia literária

A problemática do tempo e da dialética da ausência e presença, relacionada à questão da imagem, também ecoa na série Apologia literária, de 2009. A imagem na literatura é uma construção imaginária do leitor, a partir das informações indiciais contidas nos textos. As fotografias desta série, ao mesmo tempo em que contrastam com as imagens literárias a que se referem, pela sua fixidez e por se apresentarem previamente constituídas, contêm esse aspecto de memória e retomada do tempo. A dimensão poética das imagens fotográficas ampliam as possibilidades de leituras e releituras, tal qual a linguagem literária, permitindo novas articulações de sentido e de imagens na mente do espectador - colocando em diálogo aberto e imprevisível a memória do registro fotográfico com a memória pessoal de cada espectador

Entre as obras da série Apologia literária, podemos citar: O sertão vai virar mar, referente ao romance de Moacyr Scliar, consiste em fotografia de barcos de papel sobre o solo do sertão, O tempo e o vento, referente ao romance épico de Érico Veríssimo, fotografia em que um livro contendo capa de imagem do céu é colocado sobre o chão de terra reflete o céu, Vidas secas, referente á obra de Graciliano Ramos, imagem parcial de um cavalo com uma bola azul entre as patas dianteiras;  Casa de Pensão, referente romance naturalista de Aluísio de Azevedo, fotografia de cama de casal com plantas em torno; A barca de Gleyre, referente à publicação das cartas de Monteiro Lobato ao escritor mineiro Godofredo Rangel, consiste em fotografia de dois burros na praia, ao lado de um barco; Pássaros de vôo curto, referente ao romance de Alcione Araújo, imagem de um avião de papel voando contra o fundo do céu. Terra do sem fim, fotografias de pássaros de carne moída e uma fotografia de um mundo coberto de carne sangrenta, obra inspirada do livro de mesmo titulo de Jorge Amado que descreve as lutas pela conquista e posse das terras Terra do sem fim, sua melhor obra do ciclo do cacau, apresenta-nos um legítimo bangue-bangue à brasileira. Dois poderosos proprietários rurais disputam a última reserva de mata nativa onde estão as terras mais férteis para o plantio de cacau, são explicados pelo adubo extra de sangue humano ali derramado em abundância  RENATA WILNER

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