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Último respiro

Fotografia 120 x 180 cm

 

A arca de Noé - Vinicius de Moraes

 

Sete em cores, de repente. O arco-íris se desata. Na água límpida e contente. Do ribeirinho da mata

O sol, ao véu transparente. Da chuva de ouro e de prata. Resplandece resplendente. No céu, no chão, na cascata

E abre-se a porta da arca. Lentamente surgem francas. A alegria e as barbas brancas. Do prudente patriarca

Vendo ao longe aquela serra. E as planícies tão verdinhas. Diz Noé: que boa terra. Pra plantar as minhas vinhas

Ora vai, na porta aberta. De repente, vacilante. Surge lenta, longa e incerta. Uma tromba de elefante

E de dentro de um buraco. De uma janela aparece. Uma cara de macaco. Que espia e desaparece

"Os bosques são todos meus!" Ruge soberbo o leão. "Também sou filho de Deus!" Um protesta, e o tigre - "Não"

A arca desconjuntada. Parece que vai ruir. Entre os pulos da bicharada. Toda querendo sair

Afinal com muito custo. Indo em fila, aos casais. Uns com raiva, outros com susto. Vão saindo os animais

Os maiores vêm à frente. Trazendo a cabeça erguida. E os fracos, humildemente. Vêm atrás, como na vida

Longe o arco-íris se esvai. E desde que houve essa história. Quando o véu da noite cai. Erguem-se os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos. Em meio à noite calada. Ouve-se a fala dos bichos. Na terra repovoada

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